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No prefácio de Fera de Macabu, o jurista Evandro Lins e Silva observa que a bibliografia brasileira sobre erros judiciários é muito pobre, ao contrário de outros países. Desta forma, o livro é uma grande contribuição para o Direito Penal brasileiro.

Ele considera o livro arrebatador: "Comecei a ler os originais e fui até o fim, sem parar. O livro desperta o interesse do leitor e oferece um quadro magnífico do período em que o crime se verificou".

Evandro Lins e Silva entende que "assassinar os assassinos, reproduzir a bestialidade do talião sempre foi um meio de proteger os interesses dos poderosos e aplacar a revolta dos párias; através do mundo, a pena de morte serviu para enforcar, fuzilar, degolar miseráveis."

Para ele, "Fera de Macabu, escrito com brilho e depois de um excelente e meticuloso trabalho de pesquisa, faz uma observação importante: na única vez que, entre nós, que a um poderoso se aplicou a pena de morte, tal fato proporcionou um dos mais chocantes erros judiciários de nossa história."

O maior penalista brasileiro prossegue: "O livro é atualíssimo, a despeito de narrar um fato ocorrido no século XIX. Leva à reflexão os desavisados que ainda acatam argumentos a favor da pena de morte e prova que, além de dolorosa e inútil, ela é freqüentemente injusta."

Ele lança um alerta à sociedade: "Essa reflexão serve como advertência para aqueles que, a cada constatação de aumento da criminalidade, pedem o aumento da repressão e o agravamento das penas. Freqüentemente fala-se na volta da pena de morte. Muita gente a aceita. As multidões têm paixões incontroláveis, fáceis de manipular."

E vai adiante: "O caldo de cultura da deliqüência está na miséria, na fome, no desemprego, na injustiça social; sua potencialização continuada forja-se na omissão e na ausência do Estado como provedor eficaz de benefícios sociais. Assim, a pena de morte não é solução para a criminalidade; é, isto sim, ausência de solução."

Na conclusão de seu prefácio, o dr. Evandro Lins e Silva arremata: "O livro de Carlos Marchi impressiona sob os aspectos histórico e da defesa de uma política criminal preventiva, antes que repressiva, de parte do Estado."